O ENA

As instituições e pessoas atuantes na promoção da agroecologia vêm sentindo a necessidade de estabelecer sinergias e enriquecer mutuamente as inúmeras experiências em curso nas diferentes regiões do país. A existência de mecanismos de comunicação e intercâmbio entre as muitas articulações locais e setoriais poderá certamente fortalecer a consolidação dessas experiências e a sua difusão para outros interessados. Superar a fragmentação existente no processo de organização e na realização do ENA é um objetivo estratégico que deve ter efeitos permanentes e de longo prazo, contribuindo para o fortalecimento do movimento pela consolidação da agroecologia no Brasil.

A agroecologia aponta para profundas transformações nos padrões da organização sócio-econômica, tecnológica e ambiental da agricultura brasileira. Essa abordagem sustentável para o desenvolvimento agrícola é uma concepção nova no Brasil e ainda não foi incorporada pelos partidos políticos em seus programas. Mesmo nos movimentos sociais e na opinião pública ela ainda é bastante desconhecida, apesar dos grandes avanços ocorridos nos últimos vinte anos. Com o ENA objetivamos dar visibilidade social às experiências agroecológicas em curso nos distintos ecossistemas do país e ampliar o apoio a um enfoque alternativo de desenvolvimento agrícola.

Objetivos

Afirmar a agroecologia como um modelo tecnológico alternativo para o mundo rural brasileiro em oposição ao modelo agroquímico hoje dominante, dando visibilidade aos resultados das experiências agroecológicas para a sociedade.

Estimular a articulação e cooperação entre diferentes setores que atuam na promoção da agroecologia como instrumento de viabilização da agricultura familiar, do agroextrativismo e da reforma agrária.

Formular propostas de políticas públicas que favoreçam a generalização da agroecologia a partir das experiências concretas dos participantes do ENA e submetê-las ao debate com os candidatos à presidência da República.

Convocação

A proposta do ENA foi fruto da identificação da confluência de interesses e iniciativas recentes tais como: (i) os encontros da Rede de Projetos de Tecnologias Alternativas (Rede PTA) concluindo sobre a necessidade de revigoramento das articulações e expressão nacional do debate sobre agricultura brasileira e agroecologia; (ii) o Encontro de profissionais vinculados a instituições do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária propondo a realização de uma Conferência Nacional de Agroecologia para o avanço e consolidação do paradigma agroecológico; (iii) o Seminário sobre Reforma Agrária e Meio Ambiente realizado pelo Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e Desenvolvimento e pelo Fórum Nacional pela Reforma Agrária, definindo a importância de promover um novo encontro de caráter nacional para o aprofundamento e desdobramentos dos debates e propostas sobre os modelos alternativos para o desenvolvimento rural.

A iniciativa de convocação do Encontro partiu de cerca de 50 pessoas envolvidas com experiências práticas em agroecologia vinculadas a importantes entidades nacionais, regionais e locais, reunidas em julho de 2001, no Rio de Janeiro, no Seminário Preparatório do ENA, listadas a seguir:

Pesquisadores / Universitários / Consultores Autônomos:
Embrapa/CNPAB – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/Centro Nacional de Pesquisa em Agrobiologia - RJ - Altair Machado
Escola Agrotécnica Federal de Manaus - José Lúcio do Nascimento Rabelo
Feab/NTP – Federação de Estudantes de Agronomia do Brasil/Núcleo de Trabalho Permanente em Agroecologia
Fepagro–RS – Federação das Instituições de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Sul - João Carlos Canuto
GAE/UFRRJ – Grupo de Agricultura Ecológica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
GTNA – Grupo de Trabalho em Agroecologia na Amazônia
Manoel Baltasar Batista Costa - Consultor Autônomo
UFMT/Gera – Universidade Federal do Mato Grosso/Grupo de Estudos sobre a Reforma Agrária
UFPA – Universidade Federal do Pará/Núcleo Altos Estudos da Amazônia - Francisco de Assis Costa
UFSC/CCA – Universidade Federal de Santa Catarina/Centro de Ciências Agrárias/Núcleo de Estudos Agrobiodiversidade - Antônio Carlos Alves
Universidade Federal de São Carlos (SP) - Carlos Augusto de Souza Martins Filho
Universidade Federal de Uberlândia (MG) - Shigeo Shiki

Movimentos Sociais:
Aafa – Associação dos Agricultores Familiares Agroecológicos (RS)
Adessu – Associação de Desenvolvimento Sustentável Serra Baixa Verde (PE)
APA – Associação de Produtores Alternativos (RO)
CNS – Conselho Nacional dos Seringueiros (AC)
Concrab – Confederação das Cooperativas da Reforma Agrária do Brasil
Contag/Secretaria de Política Agrícola – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura
Cresol – Cooperativa de Crédito Rural Solidário (PR)
Fetraf–Sul – Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul
Fórum das Organizações dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Centro-Sul do Paraná
MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Pólo Sindical do Compartimento da Borborema (PB)
Pólo Sindical da Zona da Mata (MG)
Rede Cerrado / Comunidade de Caxambu (GO)
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Colatina (ES)
Unefab – União Nacional das Escolas Famílias Agrícolas do Brasil (ES)

ONGs e Fóruns:
ActionAid Brasil (RJ)
AS-PTA – Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa
AS-PTA Paraná
Centro Ecológico Ipê (RS)
Centro Sabiá (PE)
CPT-AC – Comissão Pastoral da Terra do Acre
CTA-ZM – Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata - MG
Fase – Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional
Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar (MG)
Fórum da Reforma Agrária (GO)
Fórum Nordeste da Rede PTA
Fórum Sudeste da Rede PTA
Fórum Sul da Rede PTA
Rede Ecovida de Agroecologia (Sul)
Sasop – Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais - BA

Instituições Públicas:
Emater-RS – Empresa de Assistência Técnica do Rio Grande do Sul
PDA/MMA – Subprograma Projetos Demonstrativos do Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal
Secretaria Municipal de Agricultura de Irati (PR)